Esboços da música Turco-Otomana

A música clássica Otomana foi desenvolvida em Istambul e nas maiores cidades Otomanas, de Skopje ao Cairo, de Tabriz ao Marrocos, em palácios, mesquitas e casas sufis do Império Otomano. Acima de tudo, é uma música vocal, a música Otomana tradicionalmente acompanha um único cantor com um pequeno conjunto instrumental. Os instrumentos incluem tanbur (alaúde), ney (flauta), kemence (violino), keman (violino ocidental), kanun (cítara), dentre outros. Algumas vezes descrita como música monofônica, a variedade de ornamentação e variação no conjunto exige um termo mais preciso, heterofónica.

A música Otomana tem um longo e variado sistema de modos ou escalas, conhecido como os makams, e outras réguas de composição. Existem mais de 600 makams que têm sido utilizados até agora. Além destes, pelo menos 119 makams estão formalmente definidos, mas hoje, apenas cerca de 20 makams são amplamente utilizados. No ensinamento sufi, cada makam representa e transmite um estado psicológico e espiritual especial. Às vezes, em certos makams, os Otomanos devem usar diferentes instrumentos e peças musicais vocais, a fim de curar certas condições médicas e psicológicas.

Foram utilizados um número de sistemas de notação para transcrever a música clássica, sendo o mais dominante a notação Hamparsum, em uso até a gradual introdução da notação ocidental.

A sequência específica de formas musicais turcas clássicas tornaram-se um fasil, uma suite de um prelúdio instrumental (peşrev), um poslúdio instrumental (saz semaisi), e no meio a seção principal de composições vocais, que começa pontuada por improvisações instrumentais Taksim. Um concerto fasil completo incluiria quatro formas instrumentais diferentes e três formas vocais, incluindo uma clássica canção de luz şarkı. Um fasil estritamente clássico permanece no mesmo Makam todo, do Taksim introdutório até o fim, que é geralmente uma música de dança ou oyun Havasi. No entanto, composições Sarki mais curtas, precursoras de canções modernas, são uma parte desta tradição, muitas delas extremamente antigas, que remontam ao século XIV; muitas são mais recentes, do final século XIX, em especial do compositor Hacı Arif Bey, considerado popular na época.

Algumas formas musicais

Fasıl

O fasil é uma suite da musica clássica Otomana. É semelhante aos arábicos nawba e waslah. Um classico fasil generalmente inclui movimentos tais como, peşrev, kâr, beste, ağır semâ’î, yürük semâ’î, gazel, şarkı e saz semâ’î, executados continuamente sem interlúdios e interligados através de arranjos aranağme.

Um fasil moderno típico inclui movimentos tais como taksim, peşrev, şarkı (ağır aksak), yürük semâ’î, Türk aksağı, taksim, şarkı (algumas com o aumento do ritmo) e saz semâ’î.

Um Fasil tradicional (tanto clássico e moderno) é um ato musical distinto da execução de canções pop ou folk, “arabesques ou orientais” encontradas em meyhanes e tabernas, que têm vindo a ser, por vezes, referido pelo mesmo nome.

Beste (música Turca)

O Beste é um genero vocal da música clássica Otomana. Foi um movimento do fasıl, ou suite.

Beste foi uma das principales forma de fasil (junto com o semâ’î), e suas letras vem de formas da linguagem poético   Turco-Otomana, como o gazel e murabba.

 Gazel

Gazel é uma forma de música turca que quase morreu. Enquanto que em outras partes do mundo, Ásia Central, Gazel é sinônimo de ghazal, na Turquia denota uma forma improvisada de um cantor solo que algumas vezes é acompanhado pelo ney, ud, ou tanbur. É o equivalente vocal do taksim turco, uma composição instrumental improvisada.

A forma começou a morrer em meados do século XX por causa de suas associações com discotecas [ainda em estudo], mas começou recentemente um processo de renascimento.

Medhal

Medhal é uma forma instrumental da música makam Turca ou música clássica Otomana. A primeira peça em forma de Medhal foi composta por Ali Rıfat Çağatay. A maioria das composições Medhal são usuls curtos como Sofyan. Duas formas basicas, usadas, são: i) A+B+C+B+D+B+E+B; ii) A+B+C+B, onde B refere-se á seção do “Mulazime”. Esta forma é semelhante ao Peşrev, mas muitas vezes é mais livre do que Peşrev. Não é uma forma antiga, mas foi usada principalmente no século XX.

Peşrev

Peşrev é uma forma instrumental da música classica Turca. É o nome da primeira peça de música executada durante o desenvolvimento do grupo de performances chamado de fasil. Ela também serve como penúltima peça do ayini Mevlevi, música ritual da ordem Mevlevi. Geralmente usa ciclos de ritmo longos, que se estende por muitas medidas, em oposição aos simples usul a outra forma de maior usos da musica instrumental, saz semai.

Junto com o saz Semai (chamado sama’i em árabe), que foi introduzido na música árabe no século XIX, tornou-se particularmente popular no Egito.

Saz semai

No mundo árabe, ele é chamado de Samai. É uma forma instrumental da música clássica Otomana. Era tipicamente o movimento de encerramento de um fasil (suite). O saz Semai foi medido e calibrado ao tipico usul (estrutura rítmica) chamada Aksak Semai.

Um Saz Semai tipico tem 4 movimentos, chamado Hane, porta, cada movimento seguido por um teslim (refrão). O teslim e os tres primeiros Hane são usualmente uma estrutura ritmica 10/8, ao contrario do quarto Hane, que será em 6/4.

Como: Primeiro Hane (Ritmo: 10/8), Teslim (Ritmo: 10/8), Segundo Hane (Ritmo: 10/8), Terceiro Teslim Hane (Ritmo: 10/8), Quarto Teslim Hane (Ritmo : 6/4).

Taqsim

Taqsim é uma improvisação melódica que usualmente precede a performance de uma composição musical tradicional Árabe, Turca ou do Oriente Medio, de um modo geral.

Taqsim tradicionalmente segue uma certa progressão melódica. Começando de uma maqam Árabe particular, as primeiras medidas da improvisação permanecem baixo ajnas do maqam, introduzindo assim o maqam para o ouvinte. Depois da introdução, o performista fica livre, podendo mover-se dentro do maqam, e mesmo modular outros maqams, enquanto ele retorna ao original.

Taqsim é tanto uma performance de um único instrumento, ou um apoiado por um percussionista ou outro instrumentista utilizando um drone (som contínuo baixo) na tônica de maqam.

Yürük semai

O yürük semai é uma forma musical clássica Otomana. Foi um movimento de um fasıl (suite). Generalmento composto em um usul (estrutura ritmica) de 6/8 ou 6/4.

Na musica Árabe, existe um iqa’ (modo rítmico) chamado yūruk samā’ī (يورك سماعي), que geralmente é usado no gênero muwashshah.

Referências:
  • Broughton, Simon; Ellingham, Mark (1999). World Music: The Rough Guide. Rough Guides. p. 403. ISBN 1-85828-635-2.
  • Bozdoğan, Sibel; Kasaba, Reşat (1997). Rethinking Modernity and National Identity in Turkey. University of Washington Press. p. 230. ISBN 0-295-97597-0. line feed character in |publisher= at position 25 (help)
  • Garland Encyclopedia of Music, vol. 6, pgs. 114-121Bektaş, Tolga (Winter–Spring 2005). “Relationships between Prosodic and Musical Meters in the Beste Form of Classical Turkish Music”. Asian Music (PDF) (Ithaca, NY, USA: Society for Asian Music) 36 (1): 1. doi:10.1353/amu.2005.0003. ISSN 0044-9202. Abstract: Project Muse
  • Feldman, Walter (1996). Music of the Ottoman Court: Makam, Composition and the Early Ottoman Instrumental Repertoire. Intercultural Music Studies. Berlin: Verlag für Wissenschaft und Bildung. p. 182. ISBN 3-86135-641-4. Lay summary – Verlag für Wissenschaft und Bildung (2008-11-12).
  • ÖZKAN, İsmail Hakkı, Türk Mûsıkîsi Nazariyatı ve Usûlleri: Kudüm Velveleleri, Ötüken Neşriyat, Istanbul: 2000 (6th edition).
  • Kacar, Gulcin Yahya. “Turk Musikisi Rehberi. Ankara: Maya, 2009: 296.
  • Ozkan, Ismail Hakki. “Turk musikisi Nazariyati ve Usulleri. Istanbul: Otuken Nesriyat, 1998: 81.

0 respostas

Deixe uma resposta

Want to join the discussion?
Feel free to contribute!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *