As manifestações arquitetônicas como resultado dos acontecimentos culturais analisados ao longo de um período histórico das culturas a partir do Médio-Oriente, de influencia árabe e islâmica para Ásia Central e Turquia desde os anos da expansão e ocupação depois a morte do Profeta Maomé no 680 d.C. por meio de documentação fotográfica e iconográfica. Esta pesquisa pretende mostrar como esses elementos arquitetônicos se transferiram de forma muito mais flexível e intensa do que foi aceito na história da arte e da arquitetura elaborada no mundo ocidental europeu. Assim, os acontecimentos históricos e socioculturais são aqui fatores indispensáveis para uma leitura das manifestações arquitetônicas resultantes do cruzamento da cultura árabe, e posteriormente da turca, com a cultura. A linha fundamental que norteia e justifica o interesse deste trabalho é a ideia de que a arquitetura é uma manifestação cultural que surge em consequência dos acontecimentos históricos, culturais e econômicos, e em específico, os comerciais. Consideram-se estas áreas como uma área geográfica específica e peculiar, uma entidade sócio-geográfica na qual as diferentes sociedades sofreram um processo contínuo de aculturação e de reaculturação, o qual, em virtude de contatos às vezes traumáticos, como, por exemplo, as guerras pela formação dos impérios, muitas vezes deu origem a similitudes de elementos e características, permitindo o reconhecimento de alguns denominadores comuns que, interligados, podem ser caracterizados como uma grande área islâmica composta de regiões diferenciadas de povos, mas com uma característica arquitetônica e religiosa comum.

Pelas comparações de elementos e expressões arquitetônicas, e entre os principais monumentos, duas áreas culturais, de cunho histórico, sociocultural e socioeconômico, são consideradas por esta análise: a árabe-islâmica e a turca-islâmica.

Este estudo concentra sua pesquisa no período da Idade Média, considerando sua duração mais abrangente, entre os séculos VIII e XV. Mas focaliza especificamente o conteúdo de pesquisa entre os séculos VIII e X e entre os séculos XIII e XV, pois pela análise histórica os acontecimentos se deram em diferentes épocas cronológicas. Trata-se de períodos temporais-cronológicos de acontecimentos diferenciados; anteriores, no mundo médio oriental árabe e islâmico, séculos VIII a X.. Renascença, segundo um percurso independente caracterizado pelas influências externas depois de sua amálgama com elas.

Estes séculos estão marcados pelas fortes migrações e assentamentos das populações árabes, em primeiro lugar, e turcas seldjúcida e otomana, mais tarde, nas bordas orientais do Mediterrâneo. As referidas migrações entre os séculos VIII e X não aconteceram de forma progressiva e cronologicamente linear, uma após outra, mas ao mesmo tempo, com a formação dos diferentes impérios: o árabe, o turco-seldjúcida e o turco-otomano. O avanço das tribos seldjúcidas da Ásia Central, por exemplo, alterou o panorama de regiões culturalmente já fecundas, como a da Síria.

Tendo em vista que a retrospectiva histórica é fundamental para os estudos desses processos migratórios, sua constatação nas referências socioculturais e socioeconômicas dos povos implicados é importante para se compreender as relações comerciais como forma de troca de elementos arquitetônicos, assim como as migrações, sempre presentes nesta pesquisa, e as relações de ocupações e guerra como as Cruzadas, que não serão tratadas neste texto.

Cremos ser indispensável, pois, ampliar a área da arquitetura para outras áreas, uma vez que seria insuficiente, para fins da pesquisa, um simples cadastro ou levantamento incluindo apenas elementos arquitetônicos construtivos, decorativos e simbólicos, como funções, materiais usados, espaço construído (interior e exterior), e partido arquitetônico versus estilo.

Para as populações de língua árabe e religião muçulmana, nas crônicas deste período certas regiões do Mediterrâneo eram classificadas como “Dar al-Islã”, ou a “Moradia do Islã”. Essa classificação indicava as terras nas quais prevaleciam as comunidades muçulmanas, ou terras nas quais reis e príncipes muçulmanos governavam maiorias não-muçulmanas, mas onde a Lei Sacra do Islã constituía a base da ordem social civil.

As populações do Oriente Médio exportavam especiarias e produtos de Antióquia, Damasco e Alexandria, entre outras cidades importantes, para todo o mundo ocidental.

Por isto, mais do que se imagina, a arquitetura árabe-islâmica atuou não só como representação simbólica, mas, sobretudo, como o veículo globalizador de transmissão cultural. Assim, dependendo da época e da sociedade predominante, a arquitetura possibilitou à cultura árabe-islâmica, além do seu espaço geográfico e temporal, mais penetração e difusão no mundo da Ásia central.

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